Minhas divagações

Dizem que 'escrever e coçar é só começar', então vamos lá!
Criei este espaço para compartilhar um pouco as minhas reflexões sobre a vida.
Fique a vontade para interagir comigo. Bjs

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

SOLIDÃO

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo...
isto é carência.


Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar...
isto é saudade.


Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe às vezes, para realinhar os pensamentos...
isto é equilíbrio.


Tampouco é a pausa involuntária que o destino nos impõe compulsoriamente, para que revejamos a nossa vida...
isto é um princípio da natureza.


Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado...
isto é circunstância.


Solidão é muito mais que isto...


Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão, pela nossa Alma!
(Página 79 do Livro Palavras Para Entorpecer o Coração)

domingo, 14 de agosto de 2011

AMOR DE PAI


Filho Pródigo(*)

Abre-me a Porta
Pai!
      Abre-me a Porta!

      Porque venho cansado
e derrotado
desfeito
pobre
e nu
      e envergonhado

      Tudo esbanjei
Só trago
      encravados no peito
nele bem entranhados
      os pungentes punhais
de todos os Pecados Capitais

      Delapidei o rico Património
do teu Amor
      na subida
      arrogante e pressurosa
da Montanha da Vida

      E hoje conheço a Dor
Da descida agoniante
      trémula e vagarosa
pela encosta abrolhosa
      na que nos acompanha
      o impiedoso demônio
da consciência dorida
da fortuna malgasta
      dissipada
      e a existência perdida

      Abre-me a Porta
Pai!
      E acende a luz da Casa
que outrora foi a minha
     quando eu era inocente
                              criancinha

      Não me tardes
Senhor!
      Abre-me a tua Porta luminosa
depressa, por favor!

(*) FONTE: ERNESTO GUERRA DA CAL in Futuro Imemorial (Manual de Velhice para Principiantes), Livraria Sá da Costa Editora, Lisboa, 1985, pp.112-113.
http://pedrojosemyblog.wordpress.com/2009/08/12/filho-prodigo-poema-de-ernesto-guerra-da-cal/

terça-feira, 9 de agosto de 2011

SE...

Se for pra fazer a guerra
que seja de travesseiro
Se for pra ter solidão
que seja no chuveiro
Se for pra perder
que seja o medo
Se for pra mentir
que seja a idade
Se for pra matar
que seja a saudade

Se for pra ser feliz
que seja o tempo todo
Se for pra morrer
que seja de amor
Se for pra tirar de alguém
que seja a sua dor

Se for pra ir embora
que seja a tristeza
Se for pra ferir
que seja sem querer
Se for pra viver
que seja pra ficar pra sempre com você

Se for pra chorar um dia
que seja de alegria
Se for pra cair
que seja cair na folia
Se for pra bater
que seja um bolo
Se for pra roubar
que seja um beijo
Se for pra matar
que seja de desejo

Se for pra ser feliz
que seja o tempo todo
Se for pra morrer
que seja de amor
Se for pra tirar de alguém
que seja a sua dor
Se for pra ir embora
que seja a tristeza
Se for pra ferir
que seja sem querer
Se for pra viver
que seja pra ficar pra sempre com você

Se for pra ser feliz
Composição: Alvaro Socci 

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

CASA ARRUMADA por Drummond

Em tempos de reforma na minha casa e no meu coração, eis um texto de 
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) que me chamou a atenção...


Casa arrumada  é assim:

Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa
entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um
cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os
móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras
e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições
fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca
ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.

Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

METADE


"Metade de mim quer dizer o que sinto
outra metade prefere calar-se,
por isso esse poema 
diz apenas metade de mim..."  REGINA


Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito

E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

AGOSTO

Tenho uma amiga que vai casar sábado. “Está bem! E daí, o que tem demais nisso?” Nada, só o fato de sábado ser 13 e ainda por cima de agosto. Para muitos, isso também não tem nada a ver, mas há alguns mais supersticiosos que disseram que ela é corajosa, afinal “agosto é o mês do desgosto”. De onde tiraram isso eu não sei. Parece-me que na história da humanidade aconteceram muitas tragédias e foram justamente no mês de agosto. Gente, tiveram que atribuir a culpa a alguém e foi sobrar pra quem? Para o coitado do mês.

É sempre assim. Vivemos procurando uma justificativa para os acontecimentos, sejam eles bons ou ruins. A diferença é que quando são ruins sempre são lembrados e quando são bons é só abaixar a poeira e caem no esquecimento. Querem um exemplo: 11 de setembro. Aposto que todos que lerem esse texto vão se lembrar do atentado terrorista  aos Estados Unidos, mas há registros de muitos acontecimentos importantes que sequer sabemos que ocorreram nessa mesma data. Tantos outros ruins entre eles, que até podemos chamar o setembro, também de o mês do desgosto. Mas não, sobrou só para o agosto. Na verdade, penso que deve ter sido um infeliz que criou uma rima infeliz – a’gosto’, des’gosto’ – e acabou ficando.

Só sei de uma coisa: todos os que nasceram nesse mês não o consideram assim. E eu sou uma delas, e essa minha amiga também. Prova disso é o fato dela e o noivo terem escolhido essa data para marcar um dia mais que especial na sua vida. Os meus parabéns antecipadamente a eles pela escolha da data e pelo casamento.


NECESSIDADE


Vivo dizendo que quero mudar de moradia [também de lugar, profissão, jeito de ser...], que quero morar em outro lugar, que quero sumir, e principalmente que gostaria de fugir. Não sei o porquê, mas sinto essa necessidade, simplesmente porque está no meu coração, na minha mente. Karina Cabral, no seu blog “Mafalda Crescida” postou um texto recentemente falando sobre o “fugir” e ela expôs, como sempre faz em seus textos, muito bem essa minha necessidade, que não é somente minha, penso agora que todo mundo, em algum momento da vida, sente que precisa fugir – quer seja consciente ou não do motivo –, de alguma coisa...

Eis o texto, o qual me refiro:

Fugir

“Fugir pode ser, sim, um ato de covardia, de preguiça, de egoísmo e imaturidade.

Mas fugir também pode ser um ato de rebeldia, de transgressão, de meninice.

A gente às vezes pode fugir de uma situação ruim, por cuidado, pra se preservar. Pode também fugir de algo que deseja muito, mas sabe que não devia desejar… E por isso, por cautela, por precaução… Foge.

A gente pode fugir de pessoas que não suporta mais, por fazerem mal. E pode fugir também por precisar de um tempo, mesmo daqueles que você ama muito. A gente pode fugir pra poder sentir falta, e pra entender, à distância, o habitual, o vai-e-vem de sempre.

A gente pode fugir de situações rotineiras, do cotidiano de mesmice, das coisas que nunca mudam. Se elas não mudam, a gente muda e foge um pouco, pra descansar, pra ganhar novas forças e depois voltar, trazendo um toque aqui e ali de mudança, pois quando a gente muda, não tem jeito… Tudo que cerca muda com a gente.

A gente pode fugir um pouco pra se divertir, pra desencanar, ver novas coisas, novas paisagens, novos ares, respirar de um outro jeito, dormir e acordar de outro jeito, comer de um outro jeito, conversar de um outro jeito.

A gente pode fugir pra se esconder, quando faz a óbvia constatação que existem coisas e pessoas muito mais fortes que nós, e que contra o que a gente não pode, a gente ignora, deixa pra lá até poder, ou deixar de fazer sentido.

A gente pode fugir sozinha ou acompanhada. Deixando aviso ou sumindo. Pra sempre ou por um tempo.

A gente pode fugir pra correr de uma coisa, sem perceber que inevitavelmente estamos correndo para outra, e isso não é ruim, muito pelo contrário… Pode ser ótimo.

A gente pode fugir de armadilhas que a gente mesmo arma, e que magoam, machucam, destróem, e lá, no canto de fuga, a gente coloca tudo no lugar, cola todos os cacos, e volta mais forte.

A gente pode fugir, sim. E muitas vezes, a gente deve fugir.

O dia-a-dia às vezes espreme a gente, sem que a gente perceba, e de repente, a gente está lá, espremida, comprimida, compactada, juntada. Fugindo, a gente pode finalmente espreguiçar, abrir os braços, abrir os olhos, abrir o coração, e voltar mais tranquila, pronta pra outra.

Fugir pode ser vital. E uma delícia.

Fui!”

terça-feira, 26 de julho de 2011

Basta...

Uma música para soar na alma o que toca o coração
Uma imagem para gravar nos olhos as lembranças
Um poema para passar a limpo os sentimentos
Um sonho para materializar os desejos
Uma lágrima para transbordar a dor
Um toque para mostrar a sintonia
Um olhar para provar o amor.

DECRETO PESSOAL

"Não quero beijos que não me excitam
  Não quero abraços que não me aquecem
  Não quero olhos que não me fitam
  Não quero amores que aparecem
  Que me envolvem e depois me esquecem..."
(MÚSICA:  Havia um jardim - Ataíde e Alexandre)

segunda-feira, 4 de julho de 2011

LIÇÕES DO POVO JAPONÊS

Nos recentes terremotos e tsunami que atingiram a costa nordeste do Japão em 11/03/2011:
 
1 - A CALMA
Nenhuma imagem de gente se lamentando, gritando e reclamando que havia perdido tudo. A tristeza por si só já bastava.
2 - A DIGNIDADE
Filas disciplinadas para água e comida. Nenhuma palavra dura e nenhum gesto de desagravo.
3 - A HABILIDADE
Arquitetos fantásticos, por exemplo. Os prédios balançaram, mas a maioria não caiu.
4 - A SOLIDARIEDADE
As pessoas compravam somente o que realmente necessitavam no momento. Assim todos poderiam comprar alguma coisa.
5 - A ORDEM
Nenhum saque a lojas. Sem buzinaço e tráfego pesado nas estradas. Apenas compreensão.
6 - O SACRIFÍCIO
Cinquenta trabalhadores ficaram para bombear água do mar para os reatores da usina de Fukushima. Como poderão ser recompensados já que inevitavelmente irão morrer de câncer?
7 - A TERNURA
Os restaurantes cortaram pela metade seus preços. Caixas eletrônicos deixados sem qualquer tipo de vigilância. Os fortes cuidavam dos fracos.
8 - O TREINAMENTO
Velhos e jovens, todos sabiam o que fazer e fizeram exatamente o que lhes foi ensinado.
9 - A IMPRENSA
Mostraram enorme discrição nos boletins de notícias. Nada de reportagens sensacionalistas com repórteres imbecis. Apenas calmas reportagens dos fatos.
10 - A CONSCIÊNCIA
Quando a energia acabava em uma loja, as pessoas recolocavam as mercadorias nas prateleiras e saiam calmamente.
NENHUM ARRASTÃO PARA ROUBAR O COMÉRCIO.
 
A passagem do tempo para esse povo é uma conquista e não uma perda.
Aprender a viver dignamente é uma das coisas que não dá para deixar para depois.
 
Será coincidência este comportamento num povo que valoriza o papel do Professor/Mestre na sociedade?
É claro que não!

Prof. Ricardo de Melo Germano