sexta-feira, 11 de maio de 2012
A SEMÂNTICA DA VIDA
O que mais me encanta no
Português é a semântica: o sentido das palavras. O que mais me encanta em
literatura é a poesia, o colorido que ela dá às palavras. A nossa língua
portuguesa nos dá a possilibilidade de atribuirmos o sentido que melhor
quisermos aos vocábulos, depende do momento, da sensação, do efeito que
queremos causar. Isso é magnífico!
Veja só a palavra amigo...
literalmente falando, é alguém ligado a outrem por laços de amizade. Que
definição mais sem graça para uma pessoa a quem queremos tanto bem. Já a poesia
me dá a possibilidade de chamar este outrem ligado a mim de: anjo, porto
seguro, alma gêmea, mão estendida, sorriso aberto, pedacinho do céu, coração, meu bem...
Penso que a solução para esse
nosso mundo tão desumano, tão consumista, tão sem sentido, seja a semântica.
Ah, as pessoas precisam encontrar o sentido da vida! Mas não o sentido literal,
e sim o sentido literário, poético. Aquele que dá o colorido, que faz as
pessoas sorrirem, se amarem, apreciarem o que é bom e que vale a pena nesta
vida: o sorriso de uma criança, o canto de um pássaro, a música de um rio, o
pôr-do-sol. Aquilo que faz as pessoas se
unirem: uma partida de futebol, uma campanha para ajudar um colega de trabalho,
um mutirão para reformar a escola do bairro, um churrasco para celebrar um
aniversário, um almoço em família...
A poesia da vida não é só
alegria. A poesia é aquilo que nos toca: o bonito, o feio; o alegre, o triste;
o positivo, o negativo; o pecado, o perdão; o amor, o ódio... E o que nos move
neste mundo? Os sonhos. E o que é o sonho? Nosso primeiro sonho: viver. Dormir
agora e acordar amanhã. Já pensou que vitória? Agradeça a Deus por isso! E o
que fazer deste dia melhor que o ontem? A diferença. O que não deu certo hoje,
em que posso melhorar, o que fazer diferente? Isso é sonho. Aquilo que não
tenho hoje, Deus me dá a possibilidade de alcançar amanhã. O que temos sonhado
para a nossa vida? São os sonhos que dão sentido à vida.
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sexta-feira, 4 de maio de 2012
ANTÍTESES
"Na
vida as antíteses estão cada vez mais claras: gastamos mais, aproveitamos
menos. Temos casas maiores, famílias menores. Multiplicamos nossos bens,
reduzimos nossos valores humanos. Falamos muito, amamos pouco e odiamos demais.
Chegamos à lua, mas temos problemas para atravessar a rua e conhecer nosso
vizinho. Temos mais comida e menos vitaminas.
São
antíteses humanas." (...)
Fonte: Mensagens
Diárias 2012 – Cinco minutos com Jesus
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domingo, 11 de março de 2012
VOU-ME EMBORA PRO ESPAÇO
Vou-me embora pro espaço
Vou-me embora pro espaço
Morar no asteróide B612
Lá quero ser amiga do Pequeno Príncipe
Lá terei tudo o que desejo
Vou-me embora pro espaço
Vou-me embora pro espaço
Aqui eu não tenho amigos
Lá a existência é uma fantasia
De tal modo interessante
Que a rosa, paixão do principezinho
Vem a ser instigante
Conhecê-la é um sonho...
Naquele minúsculo planeta, no espaço
Tem de tudo o que gosto
É outra civilização
Tem três vulcões extintos
Pra brincar de exploração
Tem baobás para arrancar
Tem pôr-do-sol a vontade
No momento em que desejar
É só mexer com a cadeira
E trocar de lugar...
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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
SAUDADESSS...
Saudades das férias longas nos tempos de escola
Saudades do lápis, dos desenhos, das cartas
Saudades dos papos nas calçadas, das brincadeiras ao entardecer
Saudades das novelas, das aventuras, das voltas na praça
Saudades dos amores que invadiam os pensamentos
Saudades das paixões de momento
Saudades dos tempos que não voltam mais...
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HINO NACIONAL por Drummond
Precisamos descobrir o Brasil!
Escondido atrás das florestas,
com a água dos rios no meio,
O Brasil está dormindo, coitado.
Precisamos colonizar o Brasil.
Escondido atrás das florestas,
com a água dos rios no meio,
O Brasil está dormindo, coitado.
Precisamos colonizar o Brasil.
O que faremos importando francesas
muito louras, de pele macia,
alemãs gordas, russas nostálgicas para
garçonettes dos restaurantes noturnos.
E virão sírias fidelíssimas.
Não convém desprezar as japonesas...,
muito louras, de pele macia,
alemãs gordas, russas nostálgicas para
garçonettes dos restaurantes noturnos.
E virão sírias fidelíssimas.
Não convém desprezar as japonesas...,
Precisamos educar o Brasil.
Compraremos professores e livros,
assimilaremos finas culturas,
abriremos dancings e subvencionaremos as elites.
Compraremos professores e livros,
assimilaremos finas culturas,
abriremos dancings e subvencionaremos as elites.
Cada brasileiro terá sua casa
com fogão e aquecedor elétricos, piscina,
salão para conferências científicas.
E cuidaremos do Estado Técnico.
com fogão e aquecedor elétricos, piscina,
salão para conferências científicas.
E cuidaremos do Estado Técnico.
Precisamos louvar o Brasil.
Não é só um país sem igual.
Nossas revoluções são bem maiores
do que quaisquer outras; nossos erros também.
E nossas virtudes? A terra das sublimes paixões...
os Amazonas inenarráveis... os incríveis Jõao-Pessoas...
Não é só um país sem igual.
Nossas revoluções são bem maiores
do que quaisquer outras; nossos erros também.
E nossas virtudes? A terra das sublimes paixões...
os Amazonas inenarráveis... os incríveis Jõao-Pessoas...
Precisamos adorar o Brasil!
Se bem que seja difícil caber tanto oceano e tanta solidão
no pobre coração já cheio de compromissos...
se bem que seja difícil compreender o que querem esses homens,
por que motivo eles se ajuntaram e qual a razão de seus sofrimentos.
Se bem que seja difícil caber tanto oceano e tanta solidão
no pobre coração já cheio de compromissos...
se bem que seja difícil compreender o que querem esses homens,
por que motivo eles se ajuntaram e qual a razão de seus sofrimentos.
Precisamos, precisamos esquecer o Brasil!
Tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado,
ele quer repousar de nossos terríveis carinhos.
O Brasil não nos quer! Está farto de nós!
Nosso Brasil é no outro mundo. Este não é o Brasil.
Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros?
Tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado,
ele quer repousar de nossos terríveis carinhos.
O Brasil não nos quer! Está farto de nós!
Nosso Brasil é no outro mundo. Este não é o Brasil.
Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros?
1934, Brejo das almas (Poemas). Belo Horizonte, Os Amigos do Livro
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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
sábado, 3 de dezembro de 2011
O essencial faz a vida valer a pena...
O tempo e as jabuticabas
[Rubem Alves]
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver
daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela
menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela
chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir
quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.
Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos
para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem
para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir
estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,
que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões
de 'confrontação', onde 'tiramos fatos a limpo'.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo
majestoso cargo de secretário geral do coral.
daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela
menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela
chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir
quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.
Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos
para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem
para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir
estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,
que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões
de 'confrontação', onde 'tiramos fatos a limpo'.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo
majestoso cargo de secretário geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: 'as pessoas
não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a
essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente
humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta
com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não
foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados,
e deseja tão somente andar ao lado do que é justo.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse
amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.'
O essencial faz a vida valer a pena.
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
INOCÊNCIA
Sabe Senhor,
Tenho andado meio sem rumo, perdi a visão,
Tenho andado meio sem rumo, perdi a visão,
perdi o temor, não fui sábio.
Sabe Senhor,
Eu pensei que Te conhecia, mas enganei a mim mesmo,
Eu pensei que Te conhecia, mas enganei a mim mesmo,
manchei a pureza e fui pra bem longe de Ti.
Mas estou de volta pra Ti.
Mas estou de volta pra Ti.
Ao tempo da inocência eu quero voltar,
ao tempo da pureza eu quero voltar,
ao tempo da pureza eu quero voltar,
da simplicidade com Pai, humildade com Deus,
ser curado do que o mundo me fez.
ser curado do que o mundo me fez.
Ouvir a Tua voz como sempre ouvi,
amar Tua palavra com todo meu ser.
Oh Deus tô com saudades de Ti,
saudades de Ti, saudades de Ti.
amar Tua palavra com todo meu ser.
Oh Deus tô com saudades de Ti,
saudades de Ti, saudades de Ti.
Composição: Emerson Pinheiro
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sábado, 5 de novembro de 2011
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
RAZÃO, EMOÇÃO
Ora sou razão,
ora emoção...
Sou de fases,
como a lua...
Assim como Cecília
Lua adversa
Cecília Meireles
Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
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